"Nova geração" "Amigo punk, escute este meu desabafo"
Um longo curto espaço de tempo
Eu vi pregos batendo firme nos martelos da minha mente.
Senti a semente comendo os frutos da minha inteligência.
Colei as partes quebradas da minha cabeça sobre meu pescoço.
Olhei-me no espelho e não vi mais nada além da minha infância.
Andei pelos buracos das ruas que passavam por mim.
Viajei nas asas das borboletas que ainda eram lagartas.
Trocava de pele como serpentes engoliam serpentes.
Bebia decisões, engolia rumos e degustava idéias.
Quando algo dava certo é que tudo estava torto.
Quando estava por cima é que tudo havia ido pelo ralo.
Eu fechava os portões e pulava os muros das oportunidades.
Eu vivia preso e sozinho do lado de fora das gaiolas.
Tinha amigos que ainda hoje moram aqui comigo.
Eu reclamava por não ter do que reclamar.
Eu vi os negros pichando de branco um patrimônio nacional.
E vi os brancos com caras pintadas de preto no dia da independência.
Eu demorava horas para contar as horas que passavam depressa.
Passava rápido pelo tempo lento que queria me atrasar.
Percebi que não havia relógio que pudesse parar o dia nem à noite.
Então puxava o tapete das sujeiras que me induziam a realizar.
Coloquei a mão nos relógios do tempo e brinquei como quis.
Agora não sei mais como organizar o que é presente, passado e futuro.
Não sei se ficarei mais velho, mais feio ou mais forte.
Só sei que mesmo não sabendo onde estou, ainda estou como quero.
David Edison Julião Saragosa

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